
No último sábado, por volta das 3h da madrugada (horário de Brasília), um terremoto de 8,8º na escala Richter assolou o Chile. O epicentro do terremoto foi no mar, a 34km de profunidade e a cerca de 100km da cidade de Concepción.
Hoje, quase 5 dias após a catástrofe, o número de mortos já ultrapassa os 800 e a destruição continua; mais um abalo de 5,1º foi registrado e na cidade de Concepción prédios estão incendiando, caindo, lojas e supermercados estão sendo saqueados e a população teme os assaltos a suas casas, pois muitas pessoas desesperadas ou aproveitadoras, usam o caos para praticarem delitos.
Na manhã de sábado, pouco antes das 10 horas da manhã, meu amigo Rafael Takaki me ligou (eu estava dormindo) e me avisou do terremoto. Logo liguei a TV e o computador e passei a me interar das notícias. Ao perceber a gravidade da situação, comecei a tentar ligar para alguns amigos chilenos. Meu desespero tem um por quê: em 2008 estive em Concepción com meu grupo de dança (União Gaúcha J. Simões Lopes Neto) e lá fiz grandes amizades. Em julho daquele mesmo ano, os amigos que fiz no Chile vieram visitar minha cidade, reforçando ainda mais os nossos laços. Por fim, em Janeiro de 2009, eu e o Takaki estivemos em Concepción de novo por mais de um mês, hospedados na casa da Marta (organizadora do Festival de Folclore de Concepción) e de vários outros amigos que nos receberam em algumas oportunidades.
As notícias no sábado eram as piores: Concepción era a cidade mais atingida, justamente onde mora a maioria dos meu amigos. Muitos moram em cidades bem próximas como Chiguayante (Marta e Felipe do Danzarte), San Pedro de la Paz (Orlando e alguns Danzartes) e Talcahuano (Anita), só que estas cidades são como se fossem bairros de Concepción, pois não ficam a mais de 15 minutos do Centro desta. Enfim, todos os meus amigos moram lá onde a situação foi pior. A minha preocupação e dos meus amigos da União Gaúcha passou a ser enorme.
Mas enfim... depois de quase 4 dias sem contato direto com ninguém, consegui falar com o Orlando, diretor do grupo Danzarte. O Orlando ficou muito feliz ao receber minha ligação. Contou que ele e sua família estão muito bem, assim como os membros do Danzarte com os quais ele conseguiu falar. Uns 2 dias antes do terremoto o Orlando tinha feito as compras do mês, portanto, eles têm comida para vários dias. A água estava voltando naquele dia mesmo, mas a luz ainda não tinha voltado. A casa onde eles moram não sofreu maiores danos. Orlando só me contou que passaram maus bocados pelo susto e pelas cenas de violência que presenciou nas ruas. Mas estão bem, agradeceram a preocupação dos amigos brasileiros, enviou saudações e abraços a todos.
Com a Marta eu só consegui falar hoje por volta das 19hs. A situação da Marta parece um pouco pior. Ela e a família estão bem, não se machucaram, nem nada, mas a casa deles sofreu um pouco: algumas rachaduras, o muro dos fundos caiu, eletromésticos caíram e se quebraram e toda a louça dela se quebrou (o Leo, marido dela, ainda lastimou a quebra de umas canecas com temas brasileiros que lhes presenteei). Sua família está bem também, só sua irmã Maggi teve seu apartamento destruído, mas está bem agora na casa de sua sogra. Eles têm comida para alguns dias, mas estão com medo que vá faltar, pois não sabem do futuro. Ainda permanecem sem luz e sem água. A água que possuem eles buscam em uma nascente num morro próximo a sua casa. O maior medo deles é a delinqüência que está muito acentuada em Chiguayante. Leo (marido) e os vizinhos se revezam à noite fazendo guarda. Haviam uns belgas hospedados na casa dela que conseguiram voltar à Bélgica hoje; um deles é jornalista e, quando conseguiu contato, passava informações para o jornal no qual trabalha em seu país. O mais bizarro e surreal de tudo é que enquanto eu falava com a Martita no telefone o Chile tremeu de novo. Ela me disse assim: "Brunito espera... está temblando de nuevo ahora". Isso durou uns 10 segundos no máximo e foi algo horrível pensar que estou tão longe daquela gente que tanto gosto sem poder fazer nada para ajudá-los no momento.
A Marta também ficou muito feliz com minha ligação e agradeceu a preocupação e o carinho dos amigos brasileiros. Também falei no MSN com o Braulio, Felipe (Danzarte) e Yonatan (Danzarte), todos estão bem, assim como suas famílias e enviaram saudações e abraços.
Aparentemente nossos amigos estão bem, apesar do susto e de alguns danos materiais. Porém, os tremores (réplicas) continuam por lá, fazendo com que o clima continue tenso. A ajuda está chegando, os militares tentam manter a ordem com toque de recolher e o país se mobiliza para ajudar as regiões afetadas a se reconstruírem.
Foi muito bom ouvir as vozes daqueles amigos queridos, mas me sinto um pouco de mãos atadas, porque à distância nada posso fazer a não ser rezar para que meus amigos, aquele povo e aquele país que tanto adoro não sofra mais.
Espero que minhas notícias também acalmem um pouco a quem ler.
Um abraço brasileiros y un abrazo especial a ustedes, hermanos chilenos. Los quiero muchisimo!
Chi chi chi, Le le le, viva Chile!
Hoje, quase 5 dias após a catástrofe, o número de mortos já ultrapassa os 800 e a destruição continua; mais um abalo de 5,1º foi registrado e na cidade de Concepción prédios estão incendiando, caindo, lojas e supermercados estão sendo saqueados e a população teme os assaltos a suas casas, pois muitas pessoas desesperadas ou aproveitadoras, usam o caos para praticarem delitos.
Na manhã de sábado, pouco antes das 10 horas da manhã, meu amigo Rafael Takaki me ligou (eu estava dormindo) e me avisou do terremoto. Logo liguei a TV e o computador e passei a me interar das notícias. Ao perceber a gravidade da situação, comecei a tentar ligar para alguns amigos chilenos. Meu desespero tem um por quê: em 2008 estive em Concepción com meu grupo de dança (União Gaúcha J. Simões Lopes Neto) e lá fiz grandes amizades. Em julho daquele mesmo ano, os amigos que fiz no Chile vieram visitar minha cidade, reforçando ainda mais os nossos laços. Por fim, em Janeiro de 2009, eu e o Takaki estivemos em Concepción de novo por mais de um mês, hospedados na casa da Marta (organizadora do Festival de Folclore de Concepción) e de vários outros amigos que nos receberam em algumas oportunidades.
As notícias no sábado eram as piores: Concepción era a cidade mais atingida, justamente onde mora a maioria dos meu amigos. Muitos moram em cidades bem próximas como Chiguayante (Marta e Felipe do Danzarte), San Pedro de la Paz (Orlando e alguns Danzartes) e Talcahuano (Anita), só que estas cidades são como se fossem bairros de Concepción, pois não ficam a mais de 15 minutos do Centro desta. Enfim, todos os meus amigos moram lá onde a situação foi pior. A minha preocupação e dos meus amigos da União Gaúcha passou a ser enorme.
Mas enfim... depois de quase 4 dias sem contato direto com ninguém, consegui falar com o Orlando, diretor do grupo Danzarte. O Orlando ficou muito feliz ao receber minha ligação. Contou que ele e sua família estão muito bem, assim como os membros do Danzarte com os quais ele conseguiu falar. Uns 2 dias antes do terremoto o Orlando tinha feito as compras do mês, portanto, eles têm comida para vários dias. A água estava voltando naquele dia mesmo, mas a luz ainda não tinha voltado. A casa onde eles moram não sofreu maiores danos. Orlando só me contou que passaram maus bocados pelo susto e pelas cenas de violência que presenciou nas ruas. Mas estão bem, agradeceram a preocupação dos amigos brasileiros, enviou saudações e abraços a todos.
Com a Marta eu só consegui falar hoje por volta das 19hs. A situação da Marta parece um pouco pior. Ela e a família estão bem, não se machucaram, nem nada, mas a casa deles sofreu um pouco: algumas rachaduras, o muro dos fundos caiu, eletromésticos caíram e se quebraram e toda a louça dela se quebrou (o Leo, marido dela, ainda lastimou a quebra de umas canecas com temas brasileiros que lhes presenteei). Sua família está bem também, só sua irmã Maggi teve seu apartamento destruído, mas está bem agora na casa de sua sogra. Eles têm comida para alguns dias, mas estão com medo que vá faltar, pois não sabem do futuro. Ainda permanecem sem luz e sem água. A água que possuem eles buscam em uma nascente num morro próximo a sua casa. O maior medo deles é a delinqüência que está muito acentuada em Chiguayante. Leo (marido) e os vizinhos se revezam à noite fazendo guarda. Haviam uns belgas hospedados na casa dela que conseguiram voltar à Bélgica hoje; um deles é jornalista e, quando conseguiu contato, passava informações para o jornal no qual trabalha em seu país. O mais bizarro e surreal de tudo é que enquanto eu falava com a Martita no telefone o Chile tremeu de novo. Ela me disse assim: "Brunito espera... está temblando de nuevo ahora". Isso durou uns 10 segundos no máximo e foi algo horrível pensar que estou tão longe daquela gente que tanto gosto sem poder fazer nada para ajudá-los no momento.
A Marta também ficou muito feliz com minha ligação e agradeceu a preocupação e o carinho dos amigos brasileiros. Também falei no MSN com o Braulio, Felipe (Danzarte) e Yonatan (Danzarte), todos estão bem, assim como suas famílias e enviaram saudações e abraços.
Aparentemente nossos amigos estão bem, apesar do susto e de alguns danos materiais. Porém, os tremores (réplicas) continuam por lá, fazendo com que o clima continue tenso. A ajuda está chegando, os militares tentam manter a ordem com toque de recolher e o país se mobiliza para ajudar as regiões afetadas a se reconstruírem.
Foi muito bom ouvir as vozes daqueles amigos queridos, mas me sinto um pouco de mãos atadas, porque à distância nada posso fazer a não ser rezar para que meus amigos, aquele povo e aquele país que tanto adoro não sofra mais.
Espero que minhas notícias também acalmem um pouco a quem ler.
Um abraço brasileiros y un abrazo especial a ustedes, hermanos chilenos. Los quiero muchisimo!
Chi chi chi, Le le le, viva Chile!

1 comentários:
Meeu Deus.. pobre Martita.. pobre Leo.. espero que Deus ajude eles, mas fico muito feliz em saber que foram só danos materiais.. sabado quando o Rafa me contou, foi como um choque.. tu sente, mas não explica e nem entende direito.. depois que começou a cair a ficha.. a preocupação aumentava cada vez mais.. mesmo sabendo que eles não conseguiriam responder.. eu mandava e-mail.. recados.. hoje fico bem mais tranquila em saber que estão bem, um peso saiu do meu coração.. apesar de não ter tido muito contato com eles, como tu e o Rafa, me apeguei muito a eles.. todos eles ! Obrigada Bruno.. pelas informações ! :)
Se há algo que possamos fazer pela Martita e pelo Leo.. eu apoio, ajudo e assino em baixo ! :)
Chi Chi Chi Le Le Le õ/
Besitos ;*
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